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Devaneios de uma morena

Um blog sobre tudo e mais alguma coisa. Um companheiro para todos os dias, a qualquer hora que seja.

Hoje deixei de querer voltar a Paris

Hoje deu-se um atentado que, mais do que um atentado terrorista, foi um atentado à sociedade ocidental tal como a conhecemos. 

Com o fim de assustar, causar o pânico, alertar para algo que, muito sinceramente, não consegui ainda compreender do que se trata, pessoas como nós viram-se atacadas, lesadas na sua liberdade e naquele direito fundamental que é o direito à vida. Uns ficaram feridos e outros morreram. E ainda há, neste momento, reféns. E em direto, meio mundo, ou mais de meio mundo, vai podendo ver bem de perto, perto demais, toda a desgraça. Ouvem-se as explosões dentro do Bataclan. É assustador. 

Trata-se de ataques verdadeiramente miseráveis, desumanos. 

Ataques que tiveram lugar na tão bela cidade de Paris. Aquela que é uma capital europeia tão concorrida, tão querida. Aquela que gostava de voltar a visitar. Gostava. 

Hoje essa vontade foi embora. Hoje dou graças por não estar ali. Hoje, mais uma vez, a desilusão tomou conta de mim. E não serei apenas eu a sentir-me assim.

Como eu, muitas mentes inquietas estarão, por aí, a pensar na rudez e barbaridade da situação. Já vimos muito, nós. E sabemos muito, já de há muito tempo. 

Foram cometidas enormes atrocidades neste nosso mundo ao longo da história, ao longo do tempo. O holocausto, o genocídio no Ruanda, o conflito armado de Darfur, entre tantos outros.

Mas o tempo passou e eu, que acreditava piamente no velho dizer «Time heals all wounds», esperava alguma (senão muita) evolução e estabilização social. Esperava uma sociedade mais pacífica, mais ponderada. 

Pois bem, esta ideia saiu-me completamente ao lado. 

E aqui estamos nós a ver de perto, a assistir quase na fila da frente, a esta falta de civismo, a esta falta de respeito pelo próximo, a esta desprezível mostra do que é o homem - ou daquilo em que o homem se pode, infelizmente, tornar.  

E resta-me questionar uma coisa: De quem é a culpa? Como é que se chegou até aqui? Como e desde quando se tornou impossível travar estes comportamentos? 

São perguntas que eu, como tantas outras pessoas, vou fazendo. E faço-as absolutamente mergulhada em preocupação e medo. Afinal, Paris é aqui ao lado.

Entristece-me que não haja fim à vista. Mas conformada com a probabilidade de inexistência de um fim, só me ocorre pensar: tomara que não piore. 

O homem é, verdadeiramente, multifacetado. Mas no mau sentido. Há homens desprezíveis, assustadoramente terríveis. Capazes de cometer atrocidades inimagináveis. Homens que, aos meus olhos, não podem ser homens. São pura vergonha. 

Aos inocentes, a todos eles, restam-me palavras de alento. Aos que não puderam sobreviver, sei que o lamento não chega. A raiva é imensa. 

Aos que andam por aí, como eu, sem nada ter a ver com todo este conflito que vai ganhando força, nem vale a pena sugerir que se vá tomando cuidado. Eles, a tal vergonha do mundo, andam aí. E estão mais perto do que imaginamos. 

E como disse, já só desejo uma coisa. Tomara que não piore. 

 

Que se veja, sempre assim, a tão bonita cidade de Paris. 

 

 

 

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