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Devaneios de uma morena

Um blog sobre tudo e mais alguma coisa. Um companheiro para todos os dias, a qualquer hora que seja.

O fado e nós

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Um país pequenino como o nosso, desafamado por estas coisas da crise, da Troika, da austeridade, tem tesouros de valor inimaginável dos quais, muitas vezes, não nos lembramos. Ou lembramo-nos pouco. E acabamos por nos cingir aos problemas, não reconhecendo a estas mil maravilhas de Portugal o merecido valor.

 

Temos praias fenomenais, belíssimas, dignas de prémio, ideias para pano de fundo de histórias de amor. É verdade, merecem-no pela paisagem magnífica com que nos brindam, a nós, que somos «donos» delas e nem nos lembramos disso.

 

Temos a filigrana portuguesa: uma representação da cultura e tradição do nosso país, do mar, da natureza, do amor, da religião. Não consigo olhar para um coração de Viana e não ficar deslumbrada. Não consigo não morrer de amores pelos brincos de fuso.A filigrana é uma arte manual, exclusivamente manual, que exige dos artesãos muita paciência, imaginação, destreza. E é nossa… é portuguesa. E anda por aí, nas bocas do mundo, «cantando muito bem calada».

 

Temos boa gastronomia, bons vinhos. Temos bons estilistas, gente de moda em sucesso crescente. Temos atores a começar a dar cartas internacionalmente. Temos o melhor jogador de futebol do mundo. Temos ótimos atletas noutras modalidades. Temos umas quantas medalhas olímpicas. Temos

E temos o fado… que vem imediatamente à baila quando se fala em Portugal. Se não é assim, então ando muito bem enganada.

Elevado à categoria de Património Oral e Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, só podemos estar a falar de uma maravilha, de encanto sem fim.

Mas interrogo-me sobre umas quantas coisas. Uma delas: porque é que tanta da nossa gente não o aprecia o nosso fado? Soa-me mal, isto. Soa-me errado. A mim, esta música tão nossa tem o dom de me fazer arrepiar, chorar, encher-me a alma, deixar-me triste, deixar-me feliz. Mexer comigo.

 

Mas mais tarde ou mais cedo, com o decorrer do tempo, com a crescente (e, a meu ver, benéfica) «modernização» do fado, só tende a ganhar cada vez mais amantes, ou simpatizantes apenas. Mas bem...gostos não se discutem. (LAMENTAM-SE!)

 

Fado é destino. E o destino do nosso fado está em boas mãos. Nunca esquecendo quem está para trás, nunca esquecendo a história do fado e os nomes com quem anda de braço dado, é necessário que alarguemos horizontes, que olhemos para o futuro.

Rendamo-nos a esta nova geração de fadistas que tão bem o fado defenda, que tão bem o protege, que tão bem o canta, que tão bem o toca, que tão bem o sente.

Deixemo-nos levar por nomes como Carminho, Cuca Roseta, Gisela João, Ana Moura, António Zambujo, Marco Rodrigues, Ricardo Ribeiro, e mais outros tantos e tão bons… São eles que carregam o nosso fado aos ombros, dando-lhes, evidentemente, uma nova roupagem, um outro ar mais adequado aos nossos tempos, como deve ser.

 

Ainda que o antigo seja tão belo, tão bom, é preciso andar para a frente… Ainda bem que se pode andar para a frente.

E vai haver sempre CDs, youtube, spotify para mais tarde recordar...

 

 

 

 

 

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